
Na Premier League, tratada na imprensa brasileira como 'a mais rica do mundo' deveria ser vista com outros olhos. Nela, absolutamente todos os clubes estão imersos em dívidas impagáveis. Todos declararam Ou melhor, todos menos um. Apenas o Aston Villa consegue minimamente aliar o bom desempenho em campo,- ostenta a honrosa sétima posição-, mas, sem dúvida, sua maior façanha é ter uma conta bancária no 'verde'. É o único na English Premier a ostentar um balanço com superávit. Todos sabemos do caso do Manchester United, que deve aproximadamente 1 bilhão de libras, que vem acarretando nas mais variadas formas de protesto em Old Trafford. Recentemente, foram os americanos, donos do Liverpool F.C., que se mostraram preocupados com uma dívida dos Reds, afundado em uma dívida de 237 milhões de Euros!
Mas o problema na Premier League é apenas a ponta do iceberg de uma crise econômica sem precedentes no futebol inglês.Recentemente o Notts County, o mais antigo clube do mundo, da Quarta Divisao, foi vendido pela simbólica quantia de uma libra. E muitos clubes de várias as divisões sofreram com a perda de pontos por declarar "a falência"; o colapso bancário. Tal querela era frequente em todas as divisões, mas foi um fato novo que expôs as mazelas da EPL quando o Porstmouth declarou que não havia como pagar os seus jogadores, não restando outra alternativa à gerência da Liga a não ser a punição do clube em nove pontos na tabela. Atualmente, ocupam a última posição na tabela, com solitários 14 pontos. (já descontados os nove perdidos por déficit bancário) Vá lá, o time é ruim. De toda a sorte, a equipe da simpática cidade de Porstmouth não me parece tão inferior ao Wolves, ou ao Hull City, p.ex, equipes com muito mais pontos do que ele. Os problemas que assolam o Porsmouth são de natureza estranha às quatro-linhas.
E, por vezes, quando se trata do "League Football", os problemas exógenos aparecem muito mais do que o futebol. Não há como evitar. Em 1997, aquele estupendo time do Boro', com Juninho e Fabrizio Ravanelli, não foi rebaixado, mesmo tendo alcançado as duas finais das principais Copas disputadas em território inglês (a Copa da Liga e a Copa da Inglaterra)? As polêmicas declarações de Ravanelli prejudicaram a união do grupo do Boro na Liga, embora quase sempre seus gols fossem capazes de fazer com que o time caminhasse a passos largos quando se tratava das Copas.
Nas Copas, também, há sempre um Davi contra Golias, quando o resultado final é a vitória do time mais fraco. Quando se trata de futebol, em um jogo, tudo pode acontecer. Um goleiro inspirado, um atacante endiabrado, um meio-de-campo iluminado? Tudo pode acontecer quando se trata de um futebol, e, embora aconteça de tudo durante um campeonato, os resultados são bastante previsíveis em geral. Sempre a velha disputa entre Arsenal, Chelsea, Liverpool e United...
Em Copas, vale a máxima: 'a complexidade do futebol de Copas é absolutamente shakesperiana". E isso não poderia ser menos verdade do que na terra de Shakespeare. E Shakespeare, que nasceu no Condado de Warwickshire, mesmo Condado em que nasceu o Rugby, certamente estaria torcendo pelo Porstmouth neste domingo, porque é o que todos nós- a exceção dos torcedores do Spurs-, fazemos em jogos deste tipo: "torcemos pelo mais fraco..." E o Pompey mereceu a nossa torcida. Jogou com garra, com um implacável Mokoena na zaga, e um incansável Boateng no meio-campo. E o que vimos foi uma deliciosa repetição de tantas partidas de Copa. O Spurs, time absolutamente superior, quarto colocado por pontos perdidos na EPL, não conseguia marcar. Harry Redknapp nervoso, não sabia bem o que fazer. Crouch, Defoe, Pavyluchenko e toda a sorte de atacantes que desfilavam em Wembley paravam, ora no incansável Mokoena, ora na "cataclisma" James, que, não obstante a erros bizarros em saídas de bola toscas (como no mal anulado gol do Spurs), fez uma boa partida. A verdade, porém, meus caros, é uma só: as estrelas do Spurs pararam (não em James, não em Mokoena), mas no "Sobrenatural de Almeida". O "Sobrenatural de Almeida" adora aparecer em jogos de Copa, até na Inglaterra. Nestes dias, porém, não tem muita conversa, se ele resolve dar as caras, o melhor time, por "um simples torcer do destino", estará eliminado. Não há o que fazer.
Resta, agora, contra o Chelsea, para os torcedores do Porsmouth, a esperança de que o "Sobrenatural de Almeida" dê as caras novamente na final e que os ajude a parar Didier Drogba. Para parar o Lampard, também não seria tão má ideia que o "Gravatinha" viesse junto... Nestes casos, toda a ajuda espiritual é necessária.